Lunes, 04 de octubre de 2010

Mensaje de Su Exc. Jos? Camnate na Bissign, Obispo de Bissau, para el a?o pastoral 2010/2011, que comenzar? oficialmente en la Jornada Misionera Mundial, dedicado a la formaci?n de la conciencia moral.? (Fides)
Ano Pastoral 2010/2010??

BEM FORMAR A CONSCI?NCIA MORAL, PARA MELHOR TESTEMUNHAR NOSSA F? EM CRISTO RESSUSCITADO

N?o ? dif?cil constatar como, tamb?m na sociedade guineense (e sobretudo nos ambientes citadinos), a consci?ncia moral dos cidad?os d? sinais claros de estar a ficar um tanto ofuscada, ou mesmo pervertida, diante dos novos ambientes em que vivemos desde h? j? algumas d?cadas. Como consequ?ncia da mentalidade materialista e subjectivista que nos ? transmitida por alguns meios de comunica??o social e por organismos nacionais e internacionais de car?cter pol?tico ou econ?mico, deix?mos perder bastantes valores da educa??o tradicional africana e n?o conseguimos assimilar ou conservar outros valores da chamada ?modernidade?, a? inclu?dos tamb?m os valores crist?os.

O resultado ? inquietante, sobretudo quando se pensa na constru??o do nosso destino comum, a curto e m?dio prazo. Num bom n?mero de fam?lias e na maioria das Escolas d?-se aos alunos instru??o, mas n?o se d? forma??o: ensinam-se meios de ganhar dinheiro e de singrar na vida, mas n?o se ensinam modos de adquirir virtudes. Retiram-se ou estragam-se, para proveito particular dinheiros e outros bens que s?o propriedade de todos, e as pessoas j? se v?o habituando a olhar isso como ?coisa normal? e at? como ?esperteza?da parte de quem o faz. Participa-se no neg?cio da droga, que vai afectar gravemente a sa?de de quem a vier a consumir, e acha-se isso ?um neg?cio como qualquer outro? e ?um modo de enriquecimento r?pido embora arriscado. Por vezes, faz-se ou recomenda-se o aborto com enorme leviandade, como se se tratasse dum simples m?todo de planeamento familiar. Pensando particularmente nos crist?os, verifica-se em muitos deles uma enorme ignor?ncia em mat?ria de consci?ncia moral: pede-se ou exige-se o acesso aos sacramentos (sobretudo os da Inicia??o) mas sem conhecer ou aceitar as exig?ncias morais que isso acarreta.

Em consequ?ncia de tudo isto e diante dos problemas morais concretos de nossa vida em sociedade, n?o ? raro ouvir da boca das pessoas tanto a confiss?o sincera de sua ignor?ncia (?ah, eu n?o sabia; julgava que estava a agir bem?!), como a afirma??o individualista da intocabilidade de todas as consci?ncias (?eu agi segundo a minha consci?ncia e isso me basta; cada qual ? o ?nico senhor do seu destino?!).

Diante desta situa??o, e em sintonia com o parecer do Conselho presbiteral manifestado na sua reuni?o de 23 de Junho ?ltimo, pareceu-me conveniente dirigir esta mensagem a todos os crist?os da Diocese, principalmente aos agentes directos da pastoral, e a todos eles convidar para, ao longo do pr?ximo ano pastoral 2010/11, nas suas respectivas comunidades, aprofundarem este tema da forma??o da consci?ncia moral que possibilite depois um testemunho crist?o mais exigente e mais cred?vel na sociedade onde vivemos.??

I POR UMA CONSCI?NCIA MORAL BEM FORMADA:

Bibliografia de base:

- Gaudium et Spes (Vat.II), nn.16-17
- Dignitatis humanae (Vat.II), n?3
- Jo?o Paulo II: Enc.Veritatis splendor (1993), nn.54-64
- Catecismo da Igreja Cat?lica (1992), nn.1776-1794??

1. Grandeza e fraqueza da consci?ncia moral:

O ser humano recebeu do seu Criador a intelig?ncia, a liberdade, a vontade, a sensibilidade, a consci?ncia e os demais atributos que fazem dele o ?rei? do universo. Mas, de todos esses atributos, a primazia est? na sua consci?ncia, porque ? ela a luz que ilumina e dirige o exerc?cio dos demais talentos. Ela ? o espa?o sacrossanto de cada indiv?duo, onde s? ele pode entrar e onde ressoa a voz de Deus. Ela ? um ju?zo da raz?o humana que, no momento oportuno, ordena ao homem que pratique o bem e evite o mal. Gra?as a ela, a pessoa humana percebe a qualidade moral dum acto a realizar ou j? realizado, permitindo-lhe assumir a respectiva responsabilidade. Quando escuta a sua consci?ncia moral, o homem prudente pode efectivamente ouvir a voz de Deus que lhe fala. Para destacar a import?ncia desta consci?ncia, o c?lebre cardeal Newman escreveu que ela ?? uma lei do nosso esp?rito, mas que o ultrapassa, que nos d? ordens, que significa responsabilidade e poder? (carta ao duque de Norfolk, 5) e Pascal sintetizou de maneira feliz: ??a consci?ncia ? o melhor livro de moral, e aquele que mais devia ser consultado?!

Mas foi sobretudo o Conc?lio Vaticano II quem destacou a import?ncia da consci?ncia moral de maneira mais incisiva e expl?cita: ?no fundo da pr?pria consci?ncia, o homem descobre uma lei que n?o se imp?s a si mesmo, mas ? qual deve obedecer; essa voz, que sempre o est? a chamar ao amor do bem e fuga do mal, soa no momento oportuno, na intimidade do seu cora??o: faz isto, evita aquilo. O homem tem no cora??o uma lei escrita pelo pr?prio Deus; a sua dignidade est? em obedecer-lhe, e por ela ? que ser? julgado. A consci?ncia ? o centro mais secreto e o santu?rio do homem, no qual se encontra a s?s com Deus, cuja voz se faz ouvir na intimidade do seu ser?(GS.16).

Entre as criaturas do universo, s? ao homem foi concedido este santu?rio interior. E a sua dignidade est? justamente em saber escutar essa voz interior e ser fiel aos seus ditames, que o encaminham para a pr?tica do bem, ou seja, para seguir o que ? justo e bom segundo a raz?o e a lei divina. Esta exig?ncia de ?interioriza??o? por parte do homem ? fundamental para o seu recto comportamento na sociedade.

Por?m, a consci?ncia moral tamb?m revela os seus limites e a sua fraqueza, mostrando-se por vezes incapaz de responder rectamente ? voz da lei divina e de dignificar o homem que a possui. Por raz?es variadas (nomeadamente a realidade do pecado na vida de cada homem e mesmo nas estruturas da sociedade, os interesses de institui??es pol?ticas ou econ?micas, a mentalidade subjectivista e hedonista veiculada por certos meios de comunica??o social, uma enorme ignor?ncia a respeito da f? e da moral por parte de muitos crist?os, etc.), assistimos hoje a um certo eclipse das consci?ncias individuais bem formadas bem como ? tentativa, mais ou menos expl?cita, de as silenciar, preferindo-se avan?ar por outros g?neros de comportamento moral ? margem de Deus e da lei divina. Estamos hoje numa situa??o parecida ao que Santo Agostinho chamava o ?jejum da luz?. Escreveu ele: ?os nossos olhos refazem-se vendo a luz corp?rea. Muitos, quando est?o ?s escuras durante muito tempo, ficam fracos quanto ? acuidade da vista, e essa fraqueza prov?m duma esp?cie de jejum da luz. Os olhos s?o prejudicados no seu alimento, que ? a luz. Fatigam-se com o jejum, debilitam-se, a ponto de n?o poderem ver depois a pr?pria luz com que se alimentam. E, se a luz continuar a faltar por muito mais tempo, deixam de ver, morre neles de certo modo a capacidade de receber o brilho da luz? (Trat.XIII sobre Ev.de S.Jo?o, par.5).

Diante das sugest?es variadas que lhe adv?m do meio ambiente onde se situa, situa??es essas muitas vezes fora da ?luz de Deus?, a consci?ncia individual ? tentada a desabituar-se de escutar a voz de Deus que lhe fala no seu ?ntimo e a virar-se para ?outras vozes? do exterior, longe da verdade e longe de Deus. Nessas alturas, n?o ? a sua grandeza e dignidade que nos aparece, mas sim a sua debilidade e fraqueza. O resultado poder?o ser ju?zos duvidosos (hesitando sobre o caminho certo a escolher) ou mesmo err?neos (enganando-se na escolha moral feita, considerando bem o que ? mal ou vice-versa).

Colocados, deste modo, diante da grandeza e ao mesmo tempo da fragilidade da consci?ncia humana, a dignidade humana nos exige que procuremos agir sempre com uma consci?ncia recta e certa (que esteja de acordo com o que ? justo e bom segundo a raz?o e a lei divina) e que respeitemos igualmente a consci?ncia dos outros. Mas, para isso, temos necessidade de formar incessantemente a nossa consci?ncia moral.??

2. A necessidade de permanente forma??o da consci?ncia moral:

O mundo jamais poder? ser humano enquanto cada homem n?o deixar de espezinhar a pr?pria consci?ncia. Ser? in?til encher as p?ginas de leis e de c?digos ou encher as ruas de pol?cias, enquanto a humanidade n?o for chamada a cultivar a consci?ncia individual. Quem desejar reformar o mundo, deve come?ar pela reforma da pr?pria consci?ncia. ? urgente que se recuperem as consci?ncias, formando-as no seio das fam?lias, nos grupos paroquiais, nas escolas (sobretudo naquelas que sejam orientadas por n?s). E este ? um trabalho de toda a vida.

a)- O caminho aberto por S.Paulo:

S.Paulo preocupou-se de maneira especial por formar a consci?ncia moral das comunidades crist?s primitivas por ele fundadas. A an?lise pormenorizada do caso de consci?ncia que lhe foi posto pelos Cor?ntios ? ?pode-se comer a carne sacrificada aos ?dolos? ? ? um exemplo paradigm?tico de pedagogia moral (1 Cor 8-10). Trabalho id?ntico fez ele ao propor o modo de se comportar com os ?pouco esclarecidos? em quest?es de f? e moral (Rm 14). Al?m destes dois exemplos de forma??o da consci?ncia moral, h? recomenda??es paulinas directamente orientadas para o trabalho educativo neste campo. Para S.Paulo, os crist?os t?m de formar a sua consci?ncia em tr?s aspectos:

- Examinando-se a si mesmos (1 Cor 11,28; 2 Cor 13,5; Gl 6,4)
- Procurando a vontade de Deus (Rm 12,2; Ef 5,10)
- Ponderando o que mais conv?m em cada momento ((Fl 1,10)
Esta tr?plice recomenda??o, em vista dum conveniente discernimento, continua ainda v?lida para n?s, hoje.

b)- A necessidade de agir com uma consci?ncia certa e recta:

A voca??o do ser humano ? cumprir a vontade de Deus, que nos ? indicada pela consci?ncia. Mas, em cada momento concreto, nem sempre se conhece facilmente qual ser? a vontade de Deus. E, em caso de n?o estarmos seguros, expomo-nos a agir contra o que Deus quer e arriscamo-nos a pecar.

Por isso, no discernimento da moralidade dum acto, ? necess?rio agir sempre com a consci?ncia certa e recta, ou seja, com a seguran?a de que a moralidade desse acto ? justamente como a consci?ncia no-lo apresenta, em sintonia com a lei moral inscrita em nosso cora??o. A pessoa n?o poder? deixar-se ficar apenas numa consci?ncia ?duvidosa?, hesitando na decis?o a tomar, sem saber qual ju?zo formar com seguran?a; e, muito menos ainda, a pessoa n?o poder? deixar-se conduzir por ju?zos ?err?neos?, em que o ju?zo moral n?o se ajusta ? lei moral, em que aquilo que toma por bem ? objectivamente mal e vice-versa.

? certo que nos ju?zos err?neos nem sempre o mal ? imput?vel ? pessoa que os emite se esta, por ignor?ncia invenc?vel, n?o teve verdadeiramente nenhuma possibilidade de vencer o erro respectivo; e isso acontece efectivamente em v?rios casos em que a pessoa n?o teve realmente nenhuma oportunidade de forma??o, embora haja certos princ?pios b?sicos da moral que ? imposs?vel algu?m ignorar, pois todos os trazemos naturalmente impressos no cora??o (Rm 2,15). Mas, em muitos outros casos de ju?zos err?neos que s?o venc?veis, a pessoa n?o poder? continuar a escusar-se indefinidamente com a desculpa de que ? eu n?o sabia que estava a agir mal?. Pelo contr?rio, ter? de se esfor?ar por ultrapassar esses erros de consci?ncia com a conveniente forma??o que est? ao seu alcance, evitando a ?ignor?ncia afectada?, que prefere ?n?o ficar a saber? para poder agir com maior liberdade e menos peso na consci?ncia! E evitar sobretudo a consci?ncia ?voluntariamente deformada?, em que a pessoa n?o ignora a verdade, mas tenta deform?-la, mentindo-se a si mesmos e tentando mentir a Deus; neste caso, fazem literalmente o que j? dizia S.Paulo nos in?cios do cristianismo: ?vir? um tempo em que os homens j? n?o suportar?o a s? doutrina da salva??o. Levados pelas pr?prias paix?es e pelo prurido de escutar novidades, ajustar?o mestres para si, apartar?o os ouvidos da verdade e se atirar?o ?s f?bulas? (2 Tim 4,3-4).

Em s?ntese e como forma de orienta??o geral, h? tr?s normas fundamentais que a consci?ncia sempre dever? respeitar:

- Nunca ? permitido fazer o mal para que da? se obtenha um bem.
- A chamada ?regra de ouro?: tudo quanto quiserdes que os homens vos fa?am, fazei-lho v?s tamb?m? (Mt 7,12).
- Actuar sempre respeitando o pr?ximo e a sua consci?ncia, embora isto n?o signifique aceitar como um bem aquilo que objectivamente seja um mal.

c)- Os meios para a forma??o da consci?ncia moral:

Para a conveniente forma??o de nossa consci?ncia moral, de modo a que ela seja o mais poss?vel certa e verdadeira, podemos felizmente lan?ar m?o de v?rios recursos ao nosso alcance, nomeadamente:

- antes de mais, ler e meditar a Palavra de Deus (a B?blia e especialmente o Novo Testamento), onde se cont?m a doutrina e a lei do Senhor, acolhendo-a com f? e fazendo ora??o sobre ela: uma reflex?o pausada e fervorosa que permita assimil?-la bem; se poss?vel dedicando a essa medita??o t?o salutar, no m?nimo uns dez ou quinze minutos por dia. Ela ? ?inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justi?a? (2 Tm 3,16).

- depois, fazer diariamente um exame de consci?ncia. No final do dia, antes de nos recolhermos para o descanso da noite, paremos uns minutos, situemo-nos com f? na presen?a de Deus que nos v? e nos ouve e fa?amos um balan?o cheio de sinceridade: ?o que fiz bem, o que fiz mal, o que poderia ter feito melhor?. Quem for constante nessa pr?tica, ir? adquirindo uma finura e lucidez de consci?ncia cada vez maiores; deixar? de viver na nebulosa da inconsci?ncia para se abrir cada vez mais ? luz de Deus.

- igualmente, devemos rezar: pedir os dons do Esp?rito Santo. Quando uma alma ? sincera, cheia de f? e generosidade, ent?o com frequ?ncia recebe no entendimento a claridade de Deus por meio dos dons do Esp?rito Santo (dom de sabedoria, de entendimento, de ci?ncia e outros), que lhe inspiram um ju?zo moral luminoso e certo.

- tamb?m: procurar ajuda nos conselhos de outros: na forma??o da consci?ncia, ? de grande ajuda o saber consultar um amigo bem formado (um bom crist?o, um catequista ou um professor id?neos, um sacerdote). Para muitas pessoas, a melhor garantia de manter sempre a ?boa voz? da consci?ncia ? o h?bito de se confessarem periodicamente (por ex. mensalmente) e de terem com o sacerdote uma conversa de orienta??o espiritual.

- e, finalmente, deixar-se guiar pelo ?ensinamento autorizado da Igreja?: a nossa consci?ncia pode errar, a sua voz pode emitir uma nota falsa. Mas a voz de Deus, n?o. E essa voz de Deus deixa-se escutar com clareza, sem sombras nem deturpa??es, no ensinamento autorizado do Magist?rio da Igreja: ?quem vos ouve, a mim ouve; quem vos rejeita a mim rejeita? (Lc 10,6) ? dizia Cristo a Pedro e aos Ap?stolos que com ele estavam, bem como aos seus sucessores no tempo. Por isso mesmo, ? t?o importante conhecer bem o que a Igreja, em nome de Deus e assistida por Deus, ensina em mat?rias de moral! De particular import?ncia, a este respeito, ? a Enc?clica ?O esplendor da Verdade? (VS), publicada por Jo?o Paulo II em Agosto de 1993. Nela se afirma: ?por vontade de Cristo, a Igreja Cat?lica ? mestra da verdade e tem por encargo dar a conhecer e ensinar autenticamente a Verdade que ? Cristo, e ao mesmo tempo declara e confirma, com a sua autoridade, os princ?pios de ordem moral que dimanam da natureza humana. Portanto, a autoridade da Igreja, que se pronuncia sobre quest?es morais, n?o lesa de modo algum a liberdade de consci?ncia dos crist?os: n?o apenas porque a liberdade da consci?ncia nunca ? liberdade ?da? verdade, mas sempre e s? ?na? verdade, mas tamb?m porque o Magist?rio n?o apresenta ? consci?ncia crist? verdades que lhe sejam estranhas, antes manifesta as verdades que ela j? deveria possuir, desenvolvendo-as a partir do acto origin?rio da f?. A Igreja coloca-se sempre e s? ao servi?o da consci?ncia, ajudando-a a n?o se deixar levar c? e l? por qualquer sopro de doutrina, ao sabor da maldade dos homens? (VS.n?64).??

II. PARA UM TESTEMUNHO CRIST?O E CRED?VEL

S?o bem conhecidas as palavras do Papa Paulo VI, em 1975, quando afirmou: ?para a Igreja, o testemunho duma vida autenticamente crist?, entregue nas m?os de Deus, numa comunh?o que nada dever? interromper e dedicada ao pr?ximo com zelo sem limites, ? o primeiro meio de evangeliza??o. O homem contempor?neo escuta

com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, ou ent?o, se escuta os mestres, ? porque eles s?o testemunhas? (Evangelii Nuntiandi, n? 41.). O Papa Jo?o Paulo II repeti-las-ia em 1990, a prop?sito do testemunho como primeira forma de evangeliza??o (Redemptoris missio, n?42).

? deste testemunho que agora queremos tratar, em refer?ncia sobretudo ? sociedade guineense, de que fazemos parte. A sociedade guineense precisa do testemunho crist?o cred?vel dos crist?os. Ser testemunha da f? em Cristo ressuscitado ? algu?m que, pela sua vida, palavras e obras (e, se necess?rio, pelo sacrif?cio de sua pr?pria vida) revela e confessa a presen?a de Cristo na sua vida e no mundo. Jesus Cristo deixou aos seus disc?pulos a miss?o de serem ?sal da terra e luz do mundo? (Mt 5, 13-16), continuando pelos s?culos fora a anunciar a boa-nova do reino de Deus e a curar, purificar, perdoar e ressuscitar, em seu nome (Mt 10,7-8) e sendo suas testemunhas at? ?s extremidades da terra (Act 1,8).

Ent?o, testemunhar Jesus Cristo ressuscitado, hoje, ? torn?-lo presente na sociedade e nas pessoas concretas com quem vivemos, e permitir que Ele continue a? a sua obra de salva??o plena. Mas ningu?m poder? ser testemunha cred?vel de Jesus, o Salvador por excel?ncia, sem uma consci?ncia moral bem formada, como atr?s indic?mos: sabendo identificar os desafios maiores da sociedade em que vive e enfrentando-os com a coragem e a ?luz? duma consci?ncia recta e verdadeira.??

1. A consci?ncia bem formada diante de alguns desafios da sociedade guineense actual:

O testemunho crist?o n?o tem, naturalmente, qualquer limita??o no referente ao momento em que deve ser dado. Ele deve acontecer sempre e em cada hora do nosso dia, conforme os problemas concretos da sociedade nos v?o desafiando. Apesar de tudo, h? seguramente alguns dom?nios sociais mais sens?veis ou urgentes, onde o testemunho cred?vel dos crist?os se torna mais necess?rio e premente.

Por isso mesmo, eu gostaria agora de incentivar e desafiar todos os crist?os, sobretudo os agentes de pastoral, a, nas suas comunidades respectivas, aproveitarem o pr?ximo ano pastoral 2010/11para reflectirem sobre os dom?nios concretos que mais exigir?o o testemunho de nossa consci?ncia moral bem formada, no actual momento s?cio-religioso da Guin?-Bissau.

O invent?rio desses dom?nios concretos ir? seguramente variar, conforme as situa??es das diferentes regi?es ou institui??es do pa?s; mas ? natural que, nas reuni?es locais a fazer, rapidamente aflorem tamb?m algumas preocupa??es comuns.

Apenas a t?tulo de exemplo, e como incentivo para as reuni?es das diferentes comunidades da Diocese, interroguemo-nos sobre o seguinte:

a)-no campo pol?tico:

- A pobreza, a instabilidade e a suspei??o m?tua em que vivemos no nosso pa?s, residem nos males que conhecemos. Mas, em verdade, estaremos n?s dispostos a identificar e eliminar esses males? Por exemplo:

- O ?suco di b?s?, sem o qual muitos processos burocr?ticos n?o avan?am, que atitude moral merece da parte dos crist?os?

- Porque ? que h? tanta desconfian?a entre as pessoas, no nosso pa?s?

- Diante do facto de na Guin?-Bissau os julgamentos por ind?cios de corrup??o quase nunca chegarem ao fim, qual ser? a atitude moral mais aconselh?vel para um crist?o?

- Uma das causas da nossa situa??o actual foi a elimina??o f?sica dos advers?rios pol?ticos. Esta pr?tica ser? moralmente justa? Em caso negativo, como proceder hoje para n?o considerarmos os advers?rios pol?ticos como inimigos a abater?

- Outra das causas de nossa situa??o actual ? o abuso injustificado da for?a e do poder. Como fazermos para que o poder e a for?a sejam instrumentos para a promo??o da justi?a, da reconcilia??o e da paz?

- Etc. ?.

b)- no campo s?cio-econ?mico:

- Poder? um crist?o bem formado danificar ou furtar os bens p?blicos, apenas para seu proveito pessoal ou de sua fam?lia?

- O costume generalizado, na Guin?-Bissau, de n?o revelar de modo algum o nome de quem delapidou ou furtou os bens p?blicos, ser? um costume moralmente intoc?vel?

- N?o pensando apenas em militares e pol?ticos, mas tamb?m em c?rculos mais espec?ficos e cada vez mais alargados (ex. religi?es de diferentes credos, escolas, bairros, fam?lias...), que ajuda material e moral poder?o dar para o melhoramento das condi??es de vida e consequentemente para a promo??o da paz?

- Etc. ?

c)- no campo eclesial: dignifica??o das fam?lias crist?s:

- Se o matrim?nio crist?o ? uma voca??o e um sacramento, ser? moralmente aceit?vel que a enorme maioria dos crist?os ache normal n?o o realizar, ou ent?o realiz?-lo apenas ao fim de muitos anos de conviv?ncia real?

- As poucas fam?lias crist?s existentes na Diocese n?o ter?o tamb?m elas a sua parte de responsabilidade moral sobre o modo como os jovens olham para as rela??es pr?-matrimoniais e para a necessidade do casamento religioso?

- Que aspectos dos ?usos e costumes? do casamento tradicional guineense nos parecem moralmente positivos e assum?veis tamb?m pelos crist?os?

- Etc. ?

2. O trabalho que agora se espera para o ano pastoral 2010/2011

Estes tr?s dom?nios concretos, aqui deixados, onde mais se faz sentir a necessidade de consci?ncias morais bem formadas, s?o apenas tr?s exemplos poss?veis e o abrir de caminho para as reuni?es necess?rias que h?o-de ser feitas nas diferentes comunidades crist?s de nossa diocese ao longo do pr?ximo ano pastoral. O importante ? que essas reuni?es se fa?am e possam contribuir para um testemunho mais exigente e mais perfeito de cada um de n?s, fruto da ?luz? orientadora de nossa consci?ncia bem formada. O trabalho de aperfei?oamento desta consci?ncia ? um trabalho de toda a vida, e um crist?o deve tentar ?ser perfeito como o Pai que est? nos c?us? (Mt 5,48).

Para todos v?s, a minha b?n??o de pastor e os meus votos sinceros dum bom ?novo ano pastoral?!

Bissau, 28 de Setembro de 2010

? Jos? C?mnate na Bissign
(Bispo de Bissau)


Publicado por verdenaranja @ 16:03  | Hablan los obispos
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