Martes, 01 de febrero de 2011

F?tima (Agencia Fides) - "Movilidad humana y evangelizaci?n: los retos del nuevo milenio" es el tema que trat? ayer el Presidente del Consejo Pontificio para la Pastoral de los Emigrantes e Itinerantes, el arzobispo Antonio Maria Vegli?, en su discurso en el XI Encuentro de Formaci?n de los Agentes Socio-Pastorales, que se ha celebrado en F?tima (Portugal) del 14 al 16 de enero.

XI Encontro de forma??o para Agentes S?cio-Pastorais
Mobilidade humana e evangeliza??o: os desafios de um novo mil?nio"

F?tima (Portugal), 16 de janeiro de 2011.?
S.e. Dom Antonio MariaVegli?
Presidente do Conselho Pontif?cio
para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes??

Suas Excel?ncias,
reverendos sacerdotes, religiosos e religiosas,
queridos irm?os e irm?s,?

Estou particularmente feliz de poder fazer uma interven??o sobre a mobilidade humana justamente hoje quando o mundo celebra o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, por ocasi?o do qual o Santo Padre enviou uma bel?ssima mensagem com o t?tulo ?Uma s? fam?lia humana?.?

O tema que me foi confiado para este encontro ? "Mobilidade humana e evangeliza??o: os desafios de um novo mil?nio". Este sugere uma forma de avaliar e programar, dado que fala do an?ncio crist?o aos imigrantes do terceiro mil?nio. Quero agradecer ao Diretor da Obra Cat?lica Portuguesa de Migra??o, Pe. Francisco Sales Diniz, pelo seu gentil convite. Cordialmente dou as boas-vindas a todos os participantes deste XI Encontro de Forma??o de Agentes S?cio-Pastorais.?

1. Um Continente em cont?nua ebuli??o?

O cristianismo est? presente h? dois mil anos na Europa. No entanto, este Continente est? marcado por um profundo movimento de descristianiza??o. Perante esta situa??o paradoxal, Jo?o Paulo II escreveu na Exorta??o Apost?lica Ecclesia in Europa, de 29 de junho de 2003, que "a Igreja apresenta-se no in?cio do terceiro mil?nio com o mesmo an?ncio de sempre, que constitui o seu ?nico tesouro: Jesus Cristo ? o Senhor; s? h? salva??o n'Ele, e em mais ningu?m (cf. Act 4, 12). A fonte da esperan?a, para a Europa e para o mundo inteiro, ? Cristo; e a Igreja ? o canal pelo qual passa e se difunde a onda de gra?a que brotou do Cora??o trespassado do Redentor".

A Europa ? um Continente em que coexistem na??es, povos e culturas diferentes. H? zonas geogr?ficas com sua identidade, l?ngua e tradi??o. Nenhum pa?s europeu, no entanto, pode se considerar hoje livre das problem?ticas do macrofen?meno das migra??es contempor?neas. Segundo estimativas oficiais, os n?o-nacionais presentes na Uni?o Europeia, em 2007, eram 28 milh?es, ou seja, 5,5% da popula??o total; 32% destes, vindos de pa?ses europeus n?o pertencentes ? Uni?o, 22% da ?frica, 16% da ?sia e 15% das Am?ricas. Naturalmente, estes n?meros s?o mais elevados se levarmos em conta os que, neste ?nterim, adquiriram a cidadania. Em termos absolutos, a Alemanha, Fran?a, Espanha, Reino Unido e It?lia actualmente registram o maior n?mero de cidad?os estrangeiros.

Tomando em considera??o estes dados, surgem em toda parte sinais preocupantes de esmorecimento e confus?o, mesmo sob o impulso do fen?meno migrat?rio. O primeiro destes ? a busca excessiva de autonomia do homem em rela??o a Deus. A pessoa humana, na verdade, cada vez mais tenta concentrar a sua actividade cient?fica, t?cnica, cultural e pol?tica em suas pr?prias m?os. Assim, a partir do s?culo XVIII, Deus foi posto ? margem do mundo, mas sem interferir nas atividades do homem. Desta forma, tamb?m o universo ? deixado ao homem como o ?nico dominador, que o manipula a seu bel prazer, com o risco de provocar danos irrepar?veis a todo o ecossistema, mas tamb?m ao complexo mundo das rela??es interpessoais e, at? mesmo, ? busca de valores e sentido da exist?ncia.

Um segundo elemento a ser considerado refere-se ?s mudan?as ?ticas que est?o ocorrendo na sociedade contempor?nea, com particular destaque para a desintegra??o da fam?lia, para a pouca valoriza??o do casamento, para o apelo ao aborto, para o uso e consumo da sexualidade como utilidade comercial sem amor, para a falta de protec??o da vida nascente, para a deprecia??o do idoso e, em geral, das pessoas com defici?ncia.

Enfim, a Uni?o Europeia actualmente est? se deparando com uma forte crise econ?mica. Muitos postos de trabalho foram perdidos e especialmente os migrantes est?o enfrentando condi??es de grave inseguran?a. De fato, no contexto dos movimentos migrat?rios, ? ?bvio a todos que n?o se reserva a devida aten??o ? defesa da dignidade da pessoa humana, criada "? imagem e semelhan?a" de Deus. Ali?s, precisamente neste contexto, devemos denunciar com tristeza que em muitas regi?es da Europa ocorrerram, nos ?ltimos anos, desprez?veis ataques contra os imigrantes, que muitas vezes foram v?timas de intoler?ncia, discrimina??o e xenofobia, com epis?dios de racismo, ainda que isolados[1].?

2. A Chaga da Irregularidade?

O confronto com a realidade da imigra??o irregular tornou-se inevit?vel. A este respeito ? dif?cil ter n?meros precisos, mas de acordo com avalia??es recentes os imigrantes em situa??o irregular seriam entre 4,5 e 8 milh?es, com um aumento calculado entre 350.000 e 500.000 por ano. As ?reas de fronteira, onde s?o interceptados ou tentam entrar em maior n?mero, s?o aquelas entre a Eslov?quia e a Ucr?nia, entre a Eslov?nia e a Cro?cia, entre a Gr?cia e a Alb?nia e entre a Gr?cia e a Turquia. Al?m disso, ? claro, s?o consideradas zonas extremamente "quentes" Ceuta e Melilla, as Ilhas Can?rias e a Sic?lia. Entre os migrantes irregulares vindos do Sul h? sobretudo marroquinos (cerca de 70%), seguidos pelos subsaarianos, eritreus e eg?pcios.

A Pol?tica Migrat?ria Europeia atualmente encontra-se em uma fase cr?tica, pois, ? necessidade de coordena??o e harmoniza??o, contrap?e-se a dificuldade de cada um dos Estados em ceder a algumas prerrogativas nesta ?rea. Ao mesmo tempo, continua ainda o fechamento das fronteiras, resultando na impossibilidade para os imigrantes de entrar regularmente, al?m das quotas admitidas.

Finalmente, n?o podemos permanecer silenciosos diante das chagas do tr?fico e da trata de seres humanos, envolvendo especialmente as jovens ? recrutadas por organiza??es criminosas e for?adas ? prostitui??o ? e as crian?as, com o desprez?vel desenvolvimento do tr?fico de ?rg?os.??

3. A Voz do Magist?rio da Igreja?

A Instru??o Erga Migrantes Caritas Christi, publicada em 2004 pelo nosso Conselho Pontif?cio[2], adiciona a essa sum?ria descri??o: "a emigra??o dos n?cleos familiares e a feminina, tornando-se, esta ?ltima, cada vez mais consistente. Contratadas freq?entemente como trabalhadoras n?o qualificadas (trabalhadoras dom?sticas), e empregadas no trabalho submerso, as mulheres s?o privadas, ami?de, dos mais elementares direitos humanos e sindicais, quando n?o caem v?timas do triste fen?meno conhecido como ?tr?fico humano? que j? n?o poupa nem mesmo as crian?as" (n. 5). Al?m disso, o Documento estigmatiza esta realidade como "um novo cap?tulo da escravid?o" (Ibidem). Como vis?o positiva, ent?o, incentiva "a busca de uma nova ordem econ?mica internacional para uma mais justa distribui??o dos bens da terra, que contribuiria n?o pouco, de resto, para reduzir e moderar os fluxos de uma numerosa parte da popula??o em dificuldade. Da? a necessidade tamb?m de um empenho mais incisivo para criar sistemas educativos e pastorais, em vista de uma forma??o ? ?mundialidade?, isto ?, a uma nova vis?o, da comunidade mundial, considerada como fam?lia de povos, ? qual finalmente s?o destinados os bens da terra, numa perspectiva do bem comum universal" (n. 8).

O Papa Bento XVI, na Mensagem para a Celebra??o do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que coincide justamente com a data de hoje (doravante DMMR 2011), convida a considerar que a humanidade ? "uma s? fam?lia de irm?os e irm?s em sociedades que se tornam cada vez mais multi-?tnicas e intra-culturais", gra?as tamb?m ?s migra??es, que geralmente constituem uma experi?ncia dif?cil, embora nas variegadas tipologias, que o fen?meno assume. De fato, existem as migra??es "internas ou internacionais, permanentes ou peri?dicas, econ?micas ou pol?ticas, volunt?rias ou for?adas", escreve o Papa. Trata-se de movimentos que levam, em todos os casos, a uma mistura de etnias, culturas e religi?es que torna o di?logo uma ferramenta necess?ria para "uma serena e frutuosa conviv?ncia no respeito das leg?timas diferen?as". De fato, na Ora??o do Angelus, de 17 de agosto de 2008, ele advertira sobre epis?dios deplor?veis de intoler?ncia, que n?o deixam de ocorrer mesmo em nosso tempo, e tinha dito que "uma das grandes conquistas da humanidade ? precisamente a supera??o do racismo. Infelizmente, por?m, registram-se em v?rios pa?ses novas manifesta??es preocupantes. Oremos, para que em todos os lugares cres?a o respeito por cada pessoa, juntamente com a consci?ncia respons?vel de que somente na acolhida m?tua de todos ? poss?vel construir um mundo caracterizado por uma verdadeira justi?a e verdadeira paz"[3].?

4. Uma Sociedade no Plural?

As caracter?sticas que formam o vulto da Europa, hoje, s?o aquelas da multietnicidade e do multiculturalismo, que trazem consigo diferentes formas de perten?a religiosa. A tudo isso contribui diretamente tamb?m mobilidade humana, fen?meno maci?o e estrutural que envolve n?o s? os trabalhadores migrantes, mas tamb?m milh?es de pessoas que fogem em busca de ref?gio e protec??o internacional, bem como aqueles que viajam a turismo ou a lazer, em qualquer parte do globo. Estamos diante de um novo quadro que os pa?ses europeus devem levar em considera??o, para garantir a seguran?a e o bem-estar a quem vivem no territ?rio a muito tempo, mas tamb?m dignidade, trabalho, casa e protec??o dos direitos ?queles que chegam como migrantes.

"Pedimos for?a-trabalho, chegaram pessoas. Mas n?o devoram nosso bem-estar, ali?s, s?o indispens?veis para mant?-lo", assim se expressava, em 1965, o escritor Max Frisch, referindo-se aos imigrantes italianos na Su??a[4]. Muitos anos depois, podemos repetir as mesmas considera??es com rela??o aos novos fluxos migrat?rios na Europa.

Hoje, aqueles que chegam nos Estados-Membros s?o, principalmente, crist?os e, entre eles, muitos s?o ortodoxos. Aqueles que pertencem ao juda?smo s?o cerca de tr?s milh?es, mas t?m ra?zes hist?ricas na Europa. A Uni?o Budista Europeia pensa que tem hoje na Europa de um a tr?s milh?es de adeptos. Os mu?ulmanos, ao inv?s, s?o cerca de 32 milh?es. O di?logo n?o ? nada f?cil, sobretudo com o mundo isl?mico, tamb?m porque palavras como justi?a, verdade, dignidade e direitos humanos, laicidade, democracia e reciprocidade t?m conte?do diferente ao que lhe atribui a cultura europeia.

O encontro das diversidades n?o ? uma novidade do nosso tempo, mas o fato novo ? que hoje o fen?meno afeta a totalidade do planeta. Os historiadores observaram que, no dia em que uma civiliza??o se abrir a outras culturas, esta mesma se beneficia em termos de crescimento e fortalecimento. Pelo contr?rio, fraqueza e decl?nio come?am precisamente quando essa n?o aceita o di?logo, o confronto e o interc?mbio m?tuo no dinamismo do dar e receber rec?procos. ? importante, no entanto, que as diferen?as leg?timas sejam mantidas e percebidas como positivas e enriquecedoras. A diversidade cultural como fonte de vitalidade, inova??o e criatividade, ? necess?ria para a humanidade como tamb?m a biodiversidade para a natureza. O pluralismo, com efeito, ? uma das categorias que d?o vitalidade ao desenvolvimento humano, entendido n?o apenas em termos de crescimento econ?mico, mas tamb?m como meio para uma exist?ncia mais satisfat?ria do ponto de vista intelectual, emocional, moral e espiritual. Portanto, todos s?o respons?veis em preservar o patrim?nio da humanidade espalhado nas diferentes culturas. Deve ser reconhecido e protegido para o bem das gera??es presentes e futuras.

Bento XVI, na Mensagem para este dia do Migrante e Refugiado, considerando as mudan?as ocorridas na sociedade, convida a humanidade a se ver como "uma s? fam?lia, multi-?tnica e intra-cultural, [embora] isto produza inevit?veis consequ?ncias para o indiv?duo, a sociedade, os Estados e as Igrejas locais".?

5. Os Desafios da Evangeliza??o?

A pastoral da mobilidade humana, superada a emerg?ncia da ajuda humanit?ria que sempre est? implicada nos movimentos migrat?rios e que responde ? urg?ncia da caridade, hoje enfrenta o desafio da renovada proclama??o da Boa Nova aos migrantes. O esfor?o dos Agentes de pastoral, nesse contexto, tende a descobrir e explorar tudo o que h? de belo, verdadeiro e bom nas diferentes culturas, em conson?ncia com o apelo que j? S?o Paulo dirigia ? comunidade crist? de Filipos, com estas palavras: "ocupai-vos com tudo o que ? verdadeiro, nobre, justo, puro, am?vel, honroso, ou que de algum modo mere?a louvor (4,8). Promover a nova evangeliza??o, na verdade, significa buscar o que permite a abertura ao Evangelho e sua acolhida, preocupando-se em fazer crescer as "sementes do Verbo" (Ad Gentes, n. 15). ? por isso que ? diz a Instru??o Erga Migrantes Caritas Christi ? "os Consagrados e as Consagradas, as Comunidades, os Movimentos eclesiais e as Associa??es de Leigos, e tamb?m os Agentes de pastoral, devem sentir-se empenhados em educar sobretudo os crist?os ? acolhida, ? solidariedade e ? abertura aos estrangeiros, a fim de que as migra??es se tornem uma realidade sempre mais ?significativa? para a Igreja, e os fi?is possam descobrir os Semina Verbi [as sementes do Verbo] presentes nas diversas culturas e religi?es" (n. 96).

Tarefa dos Agentes de pastoral da mobilidade humana, portanto, ? o de semear a Palavra de Deus, concentrando-se especialmente nos caminhos da acolhida e nos meios mais adequados para a integra??o. Sobre estes temas, Bento XVI insistiu, saudando os participantes da Sess?o plen?ria de nosso Conselho Pontif?cio, no ?ltimo dia 28 de maio. Nessa ocasi?o, o Papa enfatizou que, para promover a coexist?ncia dos povos, s?o necess?rias "diretrizes s?bias e complexas para a acolhida e integra??o, permitindo oportunidades de entrada na legalidade, favorecendo o justo direito do reagrupamento familiar, do asilo e do ref?gio, compensando as necess?rias medidas restritivas e contrabalanceando o lament?vel tr?fico de pessoas".

A coexist?ncia pac?fica e a partilha de valores comuns s?o mais importantes do que as divis?es e bairrismos. Os locais de interc?mbio social e participa??o, os espa?os comuns de solidariedade, os ?mbitos da escola e do trabalho s?o formas nas quais o di?logo pode realmente encontrar terreno f?rtil. Em particular, no di?logo inter-religioso, assume uma grande import?ncia a reciprocidade[5]. De fato, a rela??o fundamenta-se no respeito m?tuo e na justi?a, base da "atitude do cora??o e do esp?rito, que nos torna capazes de vivermos juntos, e em toda parte, com igualdade de direitos e de deveres" (EMCC, n. 64)[6].

A coopera??o entre as Igrejas de origem e as de destino dos fluxos migrat?rios ? fundamental para uma pastoral espec?fica. A Instru??o EMCC (n. 28 e 70-77) considera as Igrejas locais de partida e de chegada como pilares fundamentais na pastoral migrat?ria. Por um lado, de fato, a comunidade crist? que acolhe os migrantes pode fornecer respostas adequadas ?s suas necessidades materiais e espirituais, como fam?lia aut?ntica que reconhece ter "um s? Deus e Pai de todos" (Ef 4,6), que "nos chama para sermos filhos amados no seu Filho predilecto" e "para nos reconhecermos a todos como irm?os em Cristo" (DMMR 2011).

Por outro lado, ? muito importante que as Igrejas de partida dos migrantes percebam a voca??o mission?ria para n?o negligenciar aqueles que deixam a comunidade de origem para ir para outros lugares. Os contatos ser?o mantidos vivos por meio de visitas regulares dos Ordin?rios diocesanos e, onde for poss?vel, com o envio de sacerdotes e agentes de pastoral que acompanhem os migrantes nas v?rias fases da emigra??o. O mission?rio dos migrantes, na verdade, ? uma ajuda insubstitu?vel para que seus conterr?neos possam continuar a viver e crescer na f? crist?, mesmo enfrentando as tantas vicissitudes que inevitavelmente encontrarem, longe da fam?lia e dos costumes da terra natal.

Um ?ltimo pensamento, que de alguma maneira entra na actividade mission?ria, refere-se ? defesa dos direitos dos trabalhadores migrantes, aonde s?o violados. A den?ncia naturalmente ? um instrumento importante do an?ncio evang?lico, mas ? ?bvio que deve ser mediado pelo Magist?rio da Igreja, em conson?ncia com as orienta??es pastorais do Ordin?rio local, e levado a termo na reflex?o e ora??o. A den?ncia deve lembrar, advertir e estimular novas id?ias pol?ticas, econ?micas e sociais, com o devido respeito ? dignidade e aos direitos humanos, ? pol?tica familiar, ? habita??o, ao trabalho, ? sa?de e aos servi?os ? pessoa do migrante. Toda den?ncia, para n?o ser superficial e emotiva, deve ser acompanhada pelo estudo, pela observa??o pontual e pelo debate fraterno.??

6. Caminhos de Integra??o??

? ainda importante que os imigrantes se integram no pa?s de acolhimento "respeitando as suas leis e a identidade nacional", afirma Bento XVI na Mensagem para este Dia (DMMR 2011). ? verdade que "n?o ? f?cil encontrar os sistemas e ordenamentos que garantam, de forma equilibrada e justa, os direitos e os deveres tanto de quem acolhe como daquele que ? acolhido" (GMP 2001, n. 12), mas ? poss?vel "individuar alguns princ?pios ?ticos fundamentais que sirvam de refer?ncia. Em primeiro lugar, h? [?] o princ?pio segundo o qual os imigrados h?o-de ser sempre tratados com o respeito devido ? dignidade de cada pessoa humana" (ibid., n. 13). Com certeza, ? direito dos Estados "regular os fluxos migrat?rios e de defender as pr?prias fronteiras" (DMMR 2011), para garantir a seguran?a da na??o, mas este direito deve sempre levar em conta o princ?pio acima mencionado. "Procurar-se-? ent?o conjugar o acolhimento devido a todo o ser humano, sobretudo no caso de pobres, com a avalia??o das condi??es indispens?veis para uma vida decorosa e pac?fica tanto dos habitantes origin?rios como dos advent?cios (GMP 2001, n. 13)" (DMMR 2011).

Precisamente neste vasto campo de a??o, insere-se tamb?m o importante papel do Agente de pastoral da mobilidade humana, fazendo apelo a toda a sua sabedoria e clarivid?ncia. O objetivo a ser alcan?ado ser? o da "s?ntese cultural", que implica, por um lado, um processo din?mico ? ou seja, a reciprocidade do interc?mbio ? e, por outro, uma integra??o que pressup?e a participa??o na cria??o e na altera??o das rela??es sociais. Entendida assim, a "s?ntese cultural" envolve o processamento de modelos originais, surgidos das culturas presentes, sem, para isto, deixar-se reduzir em alguma delas; modelos que se inserem na cultura de base que, neste sentido, se fortalece.

De resto, a Igreja, consciente das trag?dias passadas, que assolaram tamb?m o continente europeu, sabe que a integra??o plena de cada minoria ? essencial para manter a conc?rdia civil e a democracia. Fundada na f? crist?, ela quer contribuir para a constru??o de uma Europa com um rosto mais humano, onde sejam protegidos os direitos humanos e os valores basilares da paz, da justi?a, da liberdade, da toler?ncia, da participa??o e da solidariedade.?

Conclus?o?

Os migrantes esperam da Igreja universal e em especial da Igreja local portuguesa, uma orienta??o e uma resposta ?s grandes quest?es sobre a f? crist?, conforto e ajuda humana capazes de devolver sentido e esperan?a ?s suas exist?ncias. A caminhada mission?ria que queremos percorrer no terceiro mil?nio dever? basear-se na evangeliza??o e no testemunho da caridade. N?o nos esque?amos de que a caridade crist? tem uma grande for?a evangelizadora ? medida que se faz sinal do amor de Deus entre os homens. Esta consiste na disponibilidade ao pr?ximo em nome de Jesus Cristo (cf. Mt 25,31-46).

A Igreja, portanto, ? chamada a viver no amor, a revelar ao mundo o amor de Deus e a contagiar o mundo com as obras do amor. Os Agentes de pastoral da mobilidade humana, por sua vez, s?o testemunhas do amor de Deus no acolhimento dos migrantes, no ajud?-los quando est?o doentes ou passam por momentos de solid?o, marginaliza??o, irregularidade e pris?o, na defesa corajosa e prof?tica dos seus direitos, no incentivar os que, tentando observar seus deveres, est?o lutando para se inserir em um contexto social e cultural diferente daquele em que nasceram e cresceram.

"A falta de fraternidade entre os homens e entre os povos ? causa profunda de subdesenvolvimento e [?] incide em grande medida sobre o fen?meno migrat?rio", diz o Papa Bento XVI (DMMR 2011). O desenvolvimento aut?ntico, de fato, vem da "partilha de bens e recursos", que "n?o ? assegurada pelo simples progresso t?cnico e por meras rela??es de conveni?ncia, mas pelo potencial de amor que vence o mal com o bem (cf. Rm 12,21) e abre ? reciprocidade das consci?ncias e das liberdades" (Caritas in veritate, n. 9).

Na Mensagem para o Dia de hoje, o Santo Padre reafirma, por outro lado, que o crescimento na caridade vivida e concreta, especialmente para com os pobres e fracos, encontra for?a na Eucaristia, "fonte inesgot?vel de comunh?o para toda a humanidade" (DMMR 2011).

Maria, que veneramos nesse lugar sagrado, esteja-nos pr?ximo e nos infunda confian?a em nosso empenho pastoral. Ela, com o seu Sim, acolheu o Senhor da vida, ofereceu ao mundo aquele que d? sentido e plenitude ? exist?ncia de todas as criaturas humanas e estava junto ao seu Filho Jesus tamb?m nos momentos do sofrimento, da paix?o e da Cruz. Maria esteja junto aos migrantes que vivem na Europa e especialmente junto ? Igreja local portuguesa, para que esteja cada vez mais a servi?o dos migrantes, para que a cada um deles seja garantida uma vida conforme a dignidade humana.??

Obrigado!


1 Jo?o Paulo II dedicou a Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2003 precisamente a esses temas espec?ficos, com o t?tulo "por um empenho para vencer o racismo, a xenofobia e o nacionalismo exagerado": People on the move 90 (2002) 5-7.

2 M. Frisch, ?Vorwort?, in: A.J. Seiler, Siamo Italiani, Z?rich 1965, p.7.

3 Instru??o Erga Migrantes Caritas Christi: AAS XCVI (2004) 762-822

4 L?Osservatore Romano, n. 192 (44.932), 18-19 de agosto de 2008, p. 8.

5 Cfr. S. Fumio Hamao, ?Il dialogo ecumenico, interreligioso e interculturale nei pi? recenti Documenti del nostro Pontificio Consiglio?, People on the Move, 96 (2004) pp. 25-36; P. Shan Kuo-Hsi, ?Inter-religious Dialogue in the Migrants? World?: People on the Move, 96 (2004) pp. 115??-137; Id., ?Inter-religious dialogue in the migrants? world?: People on the Move, 98 (2005) pp. 59-63

6 Na Mensagem enviada por ocasi?o do dia de estudos organizado pelo Conselho Pontif?cio para o Di?logo Inter-religioso e pelo Conselho Pontif?cio para a Cultura, em 3 de Dezembro de 2008, Bento XVI afirmou que o tema do di?logo entre culturas e religi?es ? hoje "uma prioridade" para a Europa e explicou que "a Europa contempor?nea, que se aproxima do Terceiro Mil?nio, ? o resultado de dois mil?nios de civiliza??o. Tem suas ra?zes no ingente e antigo patrim?nio de Atenas e Roma e, acima de tudo, no fecundo terreno do Cristianismo, que provou ser capaz de criar novos patrim?nios culturais ao mesmo tempo em que retoma a contribui??o original de cada civiliza??o". "O tema do di?logo intercultural e inter-religioso ? acrescentou o Papa ? emerge como uma prioridade para a Uni?o Europeia e interessa de forma transversal aos sectores da cultura e da comunica??o, da educa??o e da ci?ncia, das migra??es e das minorias, at? chegar aos ?mbitos da juventude e do trabalho".

?


Publicado por verdenaranja @ 21:39  | Migraciones
 | Enviar