Viernes, 16 de noviembre de 2018

Es la invitación dirigida a los seminaristas diocesanos y religiosos de la provincia eclesiástica de Luanda con los que el cardenal Fernando Filoni, prefecto de la Congregación para la Evangelización de los Pueblos, se reunió ayer por la tarde 14 de noviembre, en el Seminario Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus en Luanda, durante su visita pastoral a Angola (ver Fides 9/11/2018).


VISITA A ANGOLA DE SUA EMINÊNCIA CARDEAL FERNANDO FILONI

Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos

(De 11 a 20 de Novembro de 2018) 

Encontro com os Seminaristas Diocesanos e Religiosos da Província Eclesiástica de Luanda. Seminário Arquidiocesano do Sagrado Coração de Jesus em Luanda 

(Luanda, Quarta-Feira dia 14 de Novembro 2018, as 16) 

 

Queridos irmãos, seminaristas diocesanos e religiosos, 

  1. 1.          Em primeiro lugar, dirijo a minha saudação fraterna e cordial ao Senhores bispos aqui presente, extensiva a todas as Dioceses da Província Eclesiástica, que acompanho com carinho especial e orante nas suas vidas de fé e de testemunho cristão. Depois, saúdo os formadores deste seminário e de várias Casas de formação dos diversos Institutos religiosos masculinos que aqui estudam e se preparam para servir com alegria o Evangelho e os irmãos.

 

  1. 2.          Com afecto de predilecção, queridos seminaristas, transmito-vos a Bênção Apostólica do Santo Padre, que vos tem no coração e que reza por vós. Faço-me o Seu porta-voz para exortar-vos a responder com generosidade e fidelidade à chamada do Senhor e às expectativas do Povo de Deus presente em Angola ou noutras partes do mundo; que cresçais na identificação com Cristo, o Sumo Sacerdote, preparando-vos para a missão com uma sólida formação humana, espiritual, teológica e cultural para serdes “discípulos missionários” cada vez mais apaixonados por Jesus e pela sua missão.

 

  1. 3.          Com afecto e muita alegria saúdo-vos a todos e a cada um do íntimo do coração, agradecendo a vossa presença que muito me alegra e conforta. Vós fazeis parte da “primavera da Igreja”: Em vós vejo os Sacerdotes e religiosos de amanhã, chamados a colaborar eficazmente no “anúncio da alegria do Evangelho”.

Obrigado de coração pelo acolhimento que me reservastes e,  agradeço-vos especialmente pela vossa resposta generosa e fiel ao chamamento do Senhor para serdes “discípulos missionários”.

 

  1. 4.          Convosco e com esta Igreja, quero louvar e agradecer o Senhor pelo dom de tantas vocações que o Senhor não deixa de suscitar nesta jovem Igreja de Angola. Como bem sublinhou Dom Benedito Roberto, Arcebispo Metropolita de Malanje e Presidente da Comissão Episcopal do Clero, na Sua mensagem a mim endereçada: “presentemente o número dos sacerdotes nativos de angola está acima de 822 com perspectivas de ainda crescer tendo em conta os Seminários de Teologia a contar com o número de 444 seminaristas”. É uma alegria para todos nós. Que Deus seja louvado! Enquanto admiro e gradeço pela quantidade das vocações à vida sacedotal e religiosa, apelo contudo e sobretudo que busqueis, cada um de vós, a qualidade do discipulado. Apontem para a qualidade e formem-se para serem discípulos de qualidade! Para tal, uma pergunta que deveis fazer a vós mesmos: “Que padre desejo ser?”
  2. 5.          Que Padre desejo ser?

Durante o Congresso Internacional por ocasião da publicação da Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis – O dom da vocação presbiteral, sobre a formação dos presbíteros, o Santo Padre, apresentando a imagem do sacerdote para a nova evangelização pedia que cada seminarista podesse, durante o processo formativo, perguntar-se: “Que padre desejo ser?” – e continuava – “Um padre de salão, tranquilo e colocado, ou então um discípulo missionário a quem arde o coração pelo Mestre e pelo Povo de Deus? Um tépido que prefere o quieto viver ou um profeta que acorda nos corações do homem o desejo de Deus?”.

 

Não ao padre das comodidades e do luxo: estes são os sacerdotes do salão, sacerdotes que preferem a tranquilidade e a serenidade dos seus escritórios, das suas poltronas, dos seu carros luxuosos. Este tipo de sacerdote são aqueles que estudam, formam-se para empregar-se com fins lucrativos; buscam exageradamente o luxo e o dinheiro e nele depositam todo o seu coração. Este tipo de padre caminha sozinho e não se interessa pela fraternidade sacerdotal. Não vos estais preparando para serdes “sacerdotes das comodidades”: desde já e de forma radical digais: NÃO a este tipo de sacerdotes.

 

Não ao padre “funcionário ou o profissional do sagrado: estes são aqueles que se prepararam e se formaram não para “serem sacerdotes” mas sim e sobretudo para serem “funcionários do sagrado”, a exercer um trabalho ou uma função, eles realizam esta função num período do dia, da semana e do mês; realizam-na em função de um salário, de uma recompensa… é triste ver este tipo de padres. Estes têm dificuldade de entregar-se totalmente ao Senhor e de doar-se completamente aos irmãos… estes são os amigos dos ricos… Não vos estais preparando a serdes “funcionários/profissionais do sagrado”, mas a viverdes a vossa vocação como um tesouro que o Senhor colocou. Recentemente o Santo Padre disse aos sacerdotes: “Sejam pastores, não funcionários. Sejam mediadores, não intermediários”.

 

Não ao padre clericalista: Papa Francisco em diversas ocasiões criticou o "clericalismo" no seio da Igreja e sobretudo, falando muitas vezes aos seminaristas e jovens sacerdotes, pediu que os jovens dizessem “não ao clericalismo”. Recentemente, numa entervista, o Santo Padre classificou o clericalismo como “uma peste na Igreja” de que os padres “devem fugir”, porque "afasta as pessoas". “O clericalismo, que é uma das doenças mais graves de que a Igreja padece, distancia-se da pobreza. O clericalismo é rico. Se não é rico em dinheiro, é rico em orgulho. Mas é rico: Há no clericalismo um apego às posses. Não permite-se nutrir pela mãe pobreza, não se deixa guardar pelo muro da pobreza. O clericalismo é uma das formas de riqueza de que padecemos mais seriamente na Igreja hoje. Pelo menos em algumas partes da Igreja[1]. Para o Papa, o clericalismo não permite o crescimento, não permite que o poder do baptismo se desenvolva. Saibais dizer: “Não ao clericalismo”.

 

Não ao padre de vida dupla: estes são padres que vivem a duplicidade de vida numa forma hipócrita; são aqueles que têm dois amores e que querem satisfazê-los ao mesmo tempo; são aqueles que não conseguem viver a castidade religiosa e o celibato sacerdotal, e esquecem que o celibato é uma questão do radicalismo evangélico.

 

  1. 6.          SIM Um “padre discípulo missionário”

Dizia ao transmitir-vos a benção Apostólica, que o Santo Padre que, desde o início do seu Pontificado, sonha em ver, nesta Igreja, sacerdotes e religiosos que sejam verdadeiramente “discípulos missionários”. É assim que também eu e, comigo, todo o Dicastério missionário que se ocupa da Evangelização dos povos, desejamos inculcar em todos os seminaristas do mundo, diocesanos ou religiosos, a terem a consciência clara do seu chamado a serem verdadeiramente “discípulos missionários”. E qual é o perfil deste “Padre/religioso discípulo missionário”? 

SIM ao padre “em saída” para encontrar Jesus Cristo, o Mestre: é aquele que está em saída de si mesmo, do seu egoísmo, da sua auto-suficiência, da sua auto-referência… é aquele que sai rumo a Cristo que os chama e se deixa encontrar por Ele. É aquele que tem antes de tudo um seu centro de referência, que é a pessoa de Jesus. É aquele que “em qualquer lugar e situação que se encontre, renova o seu encontro pessoal com Jesus Cristo ou, pelo menos, toma a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia a dia sem cessar, como disse o Santo Padre[2]. É aquele que depois de ter traído o seu Mestre é capaz de dizer «Senhor, deixei-me enganar, de mil maneiras fugi do vosso amor, mas aqui estou novamente para renovar a minha aliança convosco. Preciso de Vós. Resgatai-me de novo, Senhor; aceitai-me mais uma vez nos vossos braços redentores»[3].

É um enamorado do Mestre, enamorado pelo Evangelho, que, deixando-se surpreender, interpelar e provocar pelo fascínio sempre atual da figura de Jesus, pelas suas palavras e seus gestos de amor, vivem hoje e agora, a alegria do Evangelho e se empenham a ser Pastores segundo o Seu coração. Por isso ele é capaz de viver uma verdadeira maturidade afectiva e tem idéias claras e uma convicção íntima sobre “a indissociabilidade do celibato e da castidade do sacerdote[4].

Ele encontra o mestre na sua oração pessoal e comunitária, na sua meditação longa e profunda da Palavra de Deus, na sua participação na Eucaristia e na reconciliação. 

SIM ao padre “em saída”, com os irmãos, na escuta obediente ao bispo e aos superiores, para evangelizar: é o padre que vive com os outros do mesmo presbiterium a sua fraternidade presbiteral; é aquele que é consciente que “em virtude da comum ordenação sacra, em virtude da missão, todos os presbíteros estão unidos entre si por íntima fraternidade, que espontânea e livremente se manifesta no mútuo auxílio, tanto espiritual quanto material, tanto pastoral, como pessoal, em reuniões e comunhão de vida, trabalho e caridade[5]. Nele não há lugar a concorrência, individualismo e o favoretismo; nele existe a ajuda recíproca, a correção mútua e fraterna, a solidariedade pastoral, a convivência, celebração da vida e tudo se realiza na comunidade e esta é um lugar de festa e de perdão. Fazem parte do mesmo presbiterium e têm como Pai e Pastor, o Bispo Diocesano; metem-se em diálogo atento e respeitoso para ambos procurarem a vontade de Deus para o bem pessoal e da Igreja; com o Bispo e outros agentes pastorais, vivem a colaboração pastoral. 

SIM ao padre “em saída”,  de mãos vázias ao encontro dos pobres: é aquele que sabe esvaziar-se de si mesmo e tornar-se pobre aos olhos de Deus, confiar sempre nele, despojar-se e desapegar-se das seguranças materiais, das comodidades. Vivem “pobreza evangélica” que não se apoia unicamente nos meios materiais e nas técnicas, e sim na ajuda de Deus e na força de Sua palavra, não deixa de ser alienado ou agarrado a qualquer coisa. 

SIM ao padre “em saída”, com o Evangelho nas ruas e periferias; É o padre que vai às periferias geográficas e existenciais, como diz o Santo Padre; é aquele que se lança numa aventura imprevisível, provocados a se confrontar, continuamente, com o novo, com o desconcertante, com o desinstalador, com o que desacomoda, por exigir sempre novas respostas, sem jamais se contentar com soluções e esquemas pré-fabricados; é capaz de sair das cidades e da sua comodidade e, obedecendo aos bispos e aos superiores, vai à periferia da Diocese. É aquele que vai com o Evangelho para transmitir a alegria do Evangelho. 

SIM ao padre “em saída”, apaixonado por Jesus Cristo. 

SIM ao padre “em saida”, servidores da alegria do Evangelho, assim como Papa Francisco na EG convidou a Igreja toda a ser “serva da alegria do Evangelho”, o padre “em saída” é o verdadeiro servidor da alegria do Evangelho.  “Encorajo-vos – disse o Papa - a preparar-vos desde já a tornar-vos sacerdotes do povo e para o povo, não dominadores do rebanho que vos for confiado (cf. 1 Pd 5, 3), mas servidores”. São aqueles que estam com todos, especialmente com os mais pobres, com os que mais sofrem, com os pecadores e doentes, para lhes comunicar a alegria do Ressuscitado, para restaurar a esperança perdida, para ser sinal da bênção do Deus rico de misericórdia. 

  1. 7.          Caros seminaristas concluo com esta exortação: sejais Discípulos Missionários e não tenhais medo a preparar-vos para serdes um padre que é “discípulo missionário”!


[1] Ter Coragem e Audácia Profética, Diálogo do Papa Francisco com os Jesuítas reunidos na 36ª Congregação Geral, 24 de outubro de 2016.

 

[2] EG n.3.

[3] EG n.3.

[4] EA n.95.

[5] LG n.28.


Publicado por verdenaranja @ 13:51  | Hablan los obispos
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